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Trabalhadores dos Correios da Paraíba aprovam greve a partir de 11 de setembro (2026)

Categoria rejeita proposta da empresa e intensifica mobilização contra mudanças no plano de saúde, redução de distritos e retirada de direitos
Os trabalhadores dos Correios da Paraíba aprovaram, na terça-feira (25), o indicativo de greve a partir da zero hora de 11 de setembro, durante assembleia realizada em João Pessoa e Campina Grande para avaliar a proposta do ACT 2026/2027.
A categoria também rejeitou a proposta da empresa e aprovou a nota técnica pela prorrogação do acordo até 31 de agosto. Uma nova assembleia será realizada em 10 de setembro e, sem avanços nas negociações com a empresa, a paralisação começa no dia seguinte.
Entre os pontos rejeitados estão o reajuste de 20% do INPC para benefícios, equivalente a menos de 1% diante do índice acumulado de 4,35%; o aumento de R$ 0,47 no vale-alimentação; fim do vale-peru; retirada da gratificação de férias; mudanças no plano de saúde; e venda de patrimônio com deságio de 25%. A categoria também critica a redução dos distritos e o aumento da sobrecarga de trabalho.

Dirigentes cobram mobilização e retomada das negociações

Ao falar aos trabalhadores, Ironaldo José destacou a participação da categoria e defendeu a continuidade da mobilização. “É uma felicidade ver essa casa repleta de trabalhadores. Infelizmente não vieram todos os trabalhadores”, afirmou. O dirigente também criticou o reajuste apresentado pela empresa e defendeu uma nova proposta na assembleia de 10 de setembro. “A gente espera que seja uma assembleia para definir uma proposta em que o governo venha atender as reivindicações dos trabalhadores. Se não for, não tem outro caminho a não ser greve”, concluiu.

Plano de saúde é um dos principais pontos de rejeição

Um dos principais pontos de preocupação da categoria é a mudança na gestão do plano de saúde. Segundo o secretário-geral do Sintect-PB, Tony Sérgio, a nova redação altera a responsabilidade dos Correios sobre o benefício. “Com a nova redação, os Correios deixam de ser mantenedores, e isso abre uma brecha para a privatização completa do plano”, afirmou. Tony também lembrou que, em propostas anteriores, havia previsão de utilização de um valor para custear o benefício mediante comprovação. “Ele só teria que comprovar que está usando para a saúde isso no passado. Só que nesse ano de 2026 nem isso foi garantido na proposta da empresa. O que é mais grave ainda”, acrescentou.
Tony também criticou o que considera estar por trás da mudança e afirmou que a categoria pretende questionar as medidas. “Esse esquema da empresa, o que está por trás é o favorecimento de banqueiros e nós não podemos compactuar com isso”, declarou. Segundo o dirigente, os trabalhadores estão se preparando juridicamente para apresentar denúncias. “Estamos preparando uma estrutura jurídica para debater esses problemas e fazer essas denúncias”, afirmou.
Durante a mesma fala, Tony também citou episódios de perseguição da empresa e afirmou que os responsáveis deverão responder pela declaração caso não apresentem provas. “A diretoria local tentou fazer uma acusações graves e ela vai ser responsável por isso porque ela não provou”, declarou.
Para ele, o contexto revela uma tentativa de enfraquecer a mobilização. “Tentaram intimidar o movimento sindical porque eles sabem que este ano a greve vai ser forte”, afirmou.

Trabalhadores relatam impactos da reestruturação

Letícia Holleben relatou possíveis perdas de renda com as mudanças de funções. “Os carteiros que não quiseram mudar a categoria de moto e carro vão perder sua renda”, afirmou, criticando a redução de direitos.
Robson Jackson defendeu ampliar a mobilização. “A gente precisa acordar e nos mobilizar nos bairros porque a empresa está cada vez mais oferecendo propostas esdrúxulas”, afirmou, ao criticar o reajuste de R$ 0,47.

Participantes aproveitaram para denunciar redução dos distritos

Fabiano Galdino denunciou a redução dos distritos e os impactos da medida sobre os trabalhadores. “Vão ser sacrificados outros motociclistas naquela meta que eles estão fazendo e eles estão tirando deles da reta para jogar para gente.”
A reestruturação dos setores de distribuição do Cristo e Mangabeira foi denunciada por Joelby Costa. Atualmente, as unidades contam com 20 e 16 distritos, respectivamente, além de dois no Conde e um distrito especial no Cristo destinado à distribuição do Sedex.

Trabalhadores criticam empresa

Maria José questionou a credibilidade da direção dos Correios e criticou a condução das mudanças. “Não dá para confiar no que esse povo diz. Eles são um bando de mentirosos porque falam uma coisa e fazem outra”, afirmou.
Participando on-line, Carlos Marques afirmou que a reestruturação pode aumentar a pressão sobre os trabalhadores. “Eles estão criando mecanismos de empurrar de goela abaixo mecanismos para colocar a culpa da incompetência deles nas costas dos trabalhadores que levam tudo à frente.” Segundo ele, a pressão também pode agravar o adoecimento. “O adoecimento vai aumentar mais ainda porque é notório, é proporcional.” Carlos ainda avaliou que as medidas podem estimular desligamentos: “Isso também é uma ferramenta para forçar a demissão de trabalhadores.”

Campanha Salarial chega a novo momento

Tony Sérgio também comparou a atual Campanha Salarial com a negociação anterior e criticou a atuação da empresa. “A campanha salarial deste ano tem um diferencial. Ano passado tínhamos uma carta na manga”, explicou. Segundo ele, a empresa tentou novamente interferir no processo. “Foi uma manobra vil por parte da empresa. E ela tentou fazer isso agora também”, afirmou.

Categoria reforça mobilização

Participando de forma on-line, Marcos Roberto destacou a importância da mobilização e alertou para o anúncio de fechamento de agências. “Acho extremamente importante esse momento para a nossa categoria, porém parece que é uma parcela do movimento sindical que parece que não acredita mais na luta”, afirmou.
Marcílio Alves também defendeu o fortalecimento da mobilização. “A categoria está se mexendo, está se movimentando e começa a perceber que não vai vir nada da empresa, não vai vir nada do governo. Se a gente não arregaçar as mangas atrás do que é nosso, não vai vir nada de graça”, declarou.
A categoria seguirá mobilizada até a assembleia de 10 de setembro, quando poderá avaliar uma nova proposta. Sem avanços nas negociações, a greve começa em 11 de setembro.
“Se não negociar, os Correios vão parar!


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